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25/05 Quinta-feira Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo
Festa de Primeira Classe 
Paramentos Brancos
ascenção
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Epístola 

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Atos dos Apóstolos 1,1-11

1.Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus,2.desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu).3.E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus.4.E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca;5.porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias.6.Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel?7.Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder,8.mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.9.Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos..10.Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram:11.Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.

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Evangelho 

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São Marcos 16,14-20

14.Por fim apareceu aos Onze, quando estavam sentados à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, por não acreditarem nos que o tinham visto ressuscitado.15.E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.16.Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.17.Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas,18.manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados.19.Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus.20.Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.

Nossa Senhora Auxiliadora

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[nota do tradutor: mantivemos o termo “Maria” do original francês porque nos trabalhos teológicos, diferentemente dos textos espirituais e piedosos, é comum encontrarmos esta expressão. Que o leitor não veja nisso semelhança com a falta de respeito, hoje generalizada, dos escritos e ditos do progressismo.]

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Consideremos primeiramente esse título em si mesmo, depois em suas principais manifestações que são como a radiação da doutrina revelada sobre Maria e que a torna accessível a todos.
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Artigo I
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Grandeza e força dessa maternidade
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Mãe de misericórdia é um dos maiores títulos de Maria. Nós nos damos conta se consideramos a diferença da misericórdia, que é uma virtude da vontade, e a piedade sensível, que não passa de uma louvável inclinação da sensibilidade. Essa piedade sensível, que não existe em Deus, já que é um espírito puro, nos leva a nos compadecer dos sofrimentos do próximo, como se nós o sentíssemos em nós mesmos e de fato eles podem nos atingir. È uma louvável inclinação, mas é geralmente tímida, está acompanhada do temor do mal que nos ameaça também, e é muitas vezes incapaz de trazer um socorro efetivo.
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Ao contrário, a misericórdia é uma virtude que se acha, não na sensibilidade, mas na vontade espiritual; e como nota santo Tomás[1], se a piedade sensível se encontra sobretudo entres os seres fracos e tímidos que se sentem logo ameaçados pelo mal que vêem no próximo, a virtude da misericórdia é própria dos seres fortes e bons, capazes realmente de prestar socorro. Por isso se encontra sobretudo em Deus, e como diz a oração do Missal, é uma das maiores manifestações de seu poder e de sua bondade[2]. Santo Agostinho observa que é mais glorioso para Deus tirar o bem do mal do que criar alguma coisa do nada; é maior converter um pecador lhe dando a vida da graça, do que criar do nada todo o universo físico, o céu e a terra[3].
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Maria participa eminentemente dessa perfeição divina, e nela a misericórdia se une a piedade sensível que lhe é perfeitamente subordinada e que a torna mais acessível a nós pois só atingimos as coisas espirituais pelas coisas sensíveis.
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A Santa Virgem é Mãe de misericórdia, porque é a Mãe da divina graça. Mater divinae gratiae, e esse título lhe convém porque é Mãe de Deus, autor da graça, Mãe do Redentor, e está associada mais intimamente do que ninguém ao Calvário, à obra da redenção.
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Como Mãe de misericórdia, nos lembra que se Deus é o Ser, a Verdade e a Sabedoria, é também a Bondade e o Amor, e que sua Misericórdia infinita que é a difusão de sua Bondade, deriva de seu Amor antes da justiça vingadora, que proclama os direitos imprescritíveis  do Soberano Bem de ser amado acima de tudo. É o que leva o apóstolo Tiago a dizer (ep. II,13): “A misericórdia se eleva acima da justiça”.
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Maria nos faz compreender que a misericórdia, longe se ser contrária a justiça, como a injustiça, se une a justiça ultrapassando-a sobretudo no perdão, pois perdoar é dar acima do que é devido, perdoando uma ofensa[4].
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Percebemos então que toda obra de justiça divina supõe uma obra de misericórdia ou de bondade inteiramente gratuita[5]. Se, com efeito, Deus deve alguma coisa a criatura, é em virtude de um dom precedente puramente gratuito; se ele deve recompensar nossos méritos, é porque, antes, ele nos deu a graça para merecer; se ele pune, é depois de nos ter dado um socorro para tornar realmente possível a realização de seus preceitos, pois ele não manda nunca o impossível.
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A Santíssima Virgem nos faz compreender que Deus por pura misericórdia nos dá muitas vezes alem do necessário do que seria de justiça nos conceder; nos mostra que ele nos dá muitas vezes alem dos nossos mérito, como por exemplo, a graça da comunhão que não é merecida.
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Ela nos faz perceber que a misericórdia se une a justiça nas penas dessa vida, que são como um remédio para nos curar, nos corrigir se nos trazer de volta para o bem.
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Enfim nos faz compreender que muitas vezes a misericórdia compensa as desigualdades das condições naturais pela graças concedidas, como dizem as bem-aventuranças evangélicas, aos pobres, aos que são mansos, aos que choram, aos que têm fome de justiça, aos misericordiosos, aos que têm o coração puro, aos pacíficos e aos que sofrem perseguições pela justiça.
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Artigo II
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Principais manifestações de sua misericórdia
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Maria se mostra como Mãe de misericórdia no que diz respeito à “saúde os enfermos, refugio dos pecadores, consoladora dos aflitos, socorro dos cristãos”. Essa gradação exprimida na ladainha, e muito bonita; Mostra que Maria exerce a misericórdia em relação aqueles que sofrem em seus corpos para curar a alma, e que em seguida os consola nas aflições e os fortifica no meio das dificuldade que têm para superar. Nada nas criaturas é ao mesmo tempo mais elevado e mais acessível a todos, mais prático e mais doce para nos reerguer[6].
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Saúde dos enfermos
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A Santíssima Virgem é a saúde dos enfermos pela suas inúmeras curas providenciais ou mesmo verdadeiramente milagrosas, obtidas por sua interseção em tantos santuários da cristandade ao curso dos séculos e de nossos dias. O número incalculável dessas curas é tal que se pode dizer que Maria é um mar insondável de curas milagrosas. Mas ela só cura o corpo para trazer remédio as enfermidades da alma.
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Cura principalmente as quatro feridas espirituais, que são as conseqüências do pecado original e de nossos pecados pessoais, feridas da concupiscência, imperfeições, ignorância e malícia[7].
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Cura a concupiscência ou a cobiça que está na sensibilidade, amortecendo o ardor das paixões, quebrando os hábitos criminosos. Faz com que o homem comece a queres mais fortemente o bem para afastar os maus desejos e também  fique insensível a embriagues das honras e o atrativo das riquezas. Assim ela cura “a concupiscência da carne e a dos olhos”.
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Traz remédio às feridas das imperfeições que é a fraqueza em relação ao bem, a preguiça  espiritual. Ela dá a vontade a constância para aplicar a virtude, e desprezar os atrativos do mundo para se lançar nos braços de Deus. Fortalece os que titubeiam, reergue os que caem.
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Dissipa as trevas da ignorância, fornece os meios para abandonar o erro. Lembra as verdades religiosas, ao mesmo tempo, tão simples e tão profundas exprimidas no Padre Nosso. Com isso esclarece a inteligência e a eleva a Deus. Santo Alberto o Grande que dela recebera a luz para perseverar em sua vocação e superar as armadilhas do demônio, disse muitas vezes que ela nos preserva dos desvios que tira a retidão e a firmeza do julgamento, que nos cura da lassidão na procura da verdade, e que nos leva a um conhecimento saboroso das coisa divinas. Ele mesmo, em seu Mariale, fala de Maria com uma espontaneidade, uma admiração, um frescor, uma abundância que raramente se encontra em um homem de estudo.
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Enfim ela cura a ferida espiritual da malicia, compelindo para Deus as vontades rebeldes, tanto com ternos avisos, como com repreensões severas. Por sua doçura detém os desatinos da cólera, por sua humildade abafa o orgulho e afasta as tentações do demônio. Inspira os homens para que renunciem a vingança e se reconciliem com seus irmãos, fazendo-os entrever a paz que se encontra na casa de Deus.
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Em uma palavra, ela cura o homem das feridas do pecado original agravadas pelos nossos pecados pessoais.
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Algumas vezes, essas curas espirituais são milagrosas por serem imediatas como aconteceu com o jovem Afonso Ratisbonne, israelita, muito afastado da fé católica, que por curiosidade visitava a igreja de Santo André delle Frate em Roma, e a quem a Santa Virgem apareceu como está representada na medalha milagrosa, com os raios de luz que saiam de suas mãos. Com bondade lhe fez sinal para que se ajoelhasse. Ele se ajoelhou, perdeu os sentidos e quando voltou a si, exprimiu o vivo desejo que sentia de receber o batismo o mais cedo possível. Mais tarde ele fundou com seu irmão que se convertera antes dele, os Padres de Sion e as Religiosas de Sion para rezarem, sofrerem  e trabalharem pela conversão dos judeus, dizendo todos os dias na missa: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”.
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É aí que Maria se mostra esplendidamente saúde dos enfermos.
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Refúgio dos pecadores
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Maria é o refugio dos pecadores porque é a mãe dos pecadores e é santíssima. Justamente porque detesta o pecado que assola as almas, longe de abominar os próprios pecadores, os acolhe, os convida ao arrependimento. Livra-os das cadeias dos maus hábitos pelo poder de sua intercessão. Obtém sua reconciliação com Deus, pelos méritos de seu Filho lembrando-os em favor dos pecadores.
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Em seguida protege os pecadores convertidos dos demônios, contra tudo que pode leva-los a recaída. Exorta-os a penitência e faz-lhes encontrar a doçura.
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É a ela, depois de Nosso Senhor, que todos os pecadores que se salvam devem sua salvação. Ela já converteu inúmeros deles principalmente nos lugares de peregrinação, em Lourdes onde ela disse: “Rezai e façam penitência”; e mais recentemente em Fátima, em Portugal, onde o número de conversões, desde 1917, é incalculável.
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Muitos criminosos no momento do último suplício lhe devem a conversão in extremis.
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Suscitou as ordens  religiosa votadas à oração, à penitência e ao apostolado para a conversão dos pecadores, as ordens de são Domingos, de são Francisco, dos Redentoristas, dos Passionistas e muitas outras.
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Quais são os pecadores que ela não protege? Apenas aqueles que desprezam a misericórdia de Deus e atraem sua maldição. Ela não é o refugio de quem persevera no mal, o blasfemo, o perjúrio, a magia, a luxúria, a inveja, a ingratidão, a avareza, o orgulho do espírito. Mas como Mãe de misericórdia, lhes envia de tempos em tempos graças de luz e de atração e se não resistem, serão conduzidos de graça em graça até a graça da conversão. Sugere para alguns por sua mãe que está morrendo que digam ao menos todos os dias uma Ave Maria; muitos sem mudar suas vidas, disseram essa prece que exprimia neles uma fraca veleidade de conversão, e chegado o último momento foram recolhidos a um hospital onde lhes perguntaram se quereria ver um padre para receber a absolvição; recebem-na como os operários da última hora chamados e salvos por Maria[8]. Depois de quase dois mil anos, Maria é, assim, o refugio dos pecadores.
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Consoladora dos aflitos
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Maria foi consoladora dos aflitos, desde sua vida terrestre. Em relação a Jesus, sobretudo no Calvário. Depois da Ascensão, em  relação aos apóstolos, no meio das imensas dificuldades que encontraram para a conversão do mundo pagão, Maria lhes obtinha de Deus o espírito de força e uma santa alegria no sofrimento. Durante a lapidação de santo Estevão, primeiro mártir, ela devia assisti-lo espiritualmente por suas preces. Tirava os infelizes de seu abatimento, lhes obtinha a paciência para sofrer a perseguição. Vendo tudo o que ameaçava a Igreja nascente, resistia firme, guardando um rosto sereno, expressão da tranqüilidade de sua alma, de sua confiança em Deus. A tristeza nunca tomava conta de seu coração. O que conhecemos da força de seu amor a Deus faz pensar, dizem os autores piedosos, que ela permanecia alegre nas aflições,  que não se lamentava na indigência e na privação, que as injurias não podiam embaciar as graças de sua mansidão.Somente por seu exemplo confortava muitos infelizes acabrunhados de tristeza.  Suscitou muitos santos que foram como ela, consoladores dos aflitos, tais como santa Genoveva, santa Isabel, santa Catarina de Sena, santa Germana de Pibrac.
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O Espírito Santo é chamado consolador sobre tudo porque nos faz verter lágrimas de contrição que lavam nossos pecados e nos restitui a alegria da reconciliação com Deus. Pela mesma razão, a Santa Virgem é a consoladora dos aflitos, fazendo-os chorar santamente suas faltas.
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Não somente ela consola os pobres com o exemplo de sua pobreza e com seu socorro, mas  está particularmente atenta a nossa pobreza escondida,  compreende a privação secreta do coração e nela nos assiste. Maria tem a inteligência de todas as nossas necessidades e dá o alimento do corpo e da alma aos indigentes que a ela imploram.
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Quantos cristãos não consolou nas perseguições, quantos possessos ou almas tentadas  livrou, quantos náufragos não salvou da angustia; quantos moribundos assistiu e fortificou lhes lembrando os méritos infinitos de seu Filho.
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Ela vai também adiante da almas depois da morte. São João Damasceno diz em seu sermão sobre a Assunção: “Não foi a morte, ó Maria, que a tornou bem-aventurada, fostes vós que a embelezou e a tornou graciosa, desembaraçando-a do que tinha de lúgubre.”
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Ela ameniza os rigores do purgatório e providencia para os que sofrem as orações dos fieis a quem inspira para mandarem celebrar missas pelos defuntos.
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Enfim, como consoladora dos aflitos, Maria, soberana sem restrições, faz sentir de certo modo sua misericórdia até no inferno. Santo Tomás diz que os condenados são punidos menos do que merecem,“puniuntur citra condignum”[9], pois a misericórdia divina se une sempre à justiça mesmo em seus rigores. E esse alívio provem dos méritos do Salvador e os de sua santa Mãe. Segundo santo Odilon de Cluny[10], no dia da Assunção o inferno é menos penoso do que nos outros dias.
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Consoladora  dos aflitos, ela o é no curso dos séculos nas formas mais variadas segundo a extensão do conhecimento que tem da aflição das almas humanas em seus estados da vida.
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Socorro dos cristãos
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Maria é enfim o socorro dos cristãos porque o socorro é o efeito do amor e Maria é a plenitude da consumação da caridade, que ultrapassa a de todos os santos e anjos reunidos.
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Ela ama as almas resgatadas por seu Filho mais do que se poderia dizer, ela as assiste em sua penas e as ajuda na prática de todas as virtudes.
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Daí a exortação de são Bernardo em seu segundo sermão sobre o Missus est: “Se o vento da tentação se levanta contra ti, se a torrente das tribulações procura levar te, olhai a estrela, invocai Maria. Se as ondas do orgulho e da ambição, da maledicência e do ciúme te sacodem para tragar te em seus turbilhões, olhai a estrela, invocai a Mãe de Deus. Se a cólera, a avareza ou os furores da concupiscência zombam do frágil navio de teu espírito e ameaçam quebrá-lo, voltai teu olhar para Maria. Que a sua lembrança não se afaste jamais de teu coração e que seu nome se encontre sempre em tua boca… Mas para aproveitar do benefício de sua prece, não esqueça que deves andar sobre suas pegadas.”
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Ela sempre foi o socorro não só das almas individuais, como dos povos cristãos. Pelo testemunho de Baronius, Narses, o chefe dos exércitos do imperador Justiniano, com a ajuda da Mãe de Deus, livrou a Itália, em 553, de se subjugar aos Gotos de Totila. Segundo o mesmo testemunho, em 718, a cidade de Constantinopla foi livrada dos Sarracenos, que em diversas ocasiões semelhantes foram derrotados pelo socorro de Maria.
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Ainda no século XIII, Simão, conde de Monfort, abateu perto de Toulouse um considerável exército de albigenses enquanto que são Domingos rezava para a Mãe de Deus.
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A cidade de Dijon foi da mesma forma, miraculosamente libertada.
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Em 1571, a 7 de outubro, em Lepanto, na entrada do golfo de Corinto, com o socorro de Maria obtido pelo Rosário, uma frota turca bem mais numerosa e mais poderosa do que a dos cristãos foi completamente destruída.
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O título de Nossa Senhora das Vitórias nos lembra que muitas vezes nos campos de batalha sua intervenção foi decisiva para livrar os povos cristãos oprimidos.
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Nas ladainhas de Loreto, essas quatro invocações: saúde os enfermos, refúgio dos pecadores, consoladora dos aflitos, socorro dos cristãos lembram incessantemente aos fiéis que Maria é a Mãe da divina graça, e por isso Mãe de misericórdia.
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A Igreja canta que ela é também nossa esperança: “Salve Regina, Mater misericordiae, vita, dulcedo et spes nostra, salve.” Maria é nossa esperança, na medida do que mereceu com seu Filho e por ele o socorro de Deus, que nos adquire por sua interseção sempre atual e que nos transmite. É, assim, a expressão viva e o instrumento da Misericórdia auxiliadora que é o motivo formal de nossa esperança. A confiança ou a esperança apoiada a uma “certeza de tendência para a salvação”[11]que não cessa de aumentar, e que deriva de nossa fé na bondade de Deus todo poderoso, pronto para socorrer, na fidelidade de suas promessas; donde nos santos, o sentimento quase sempre atual de sua Paternidade que incessantemente vela por nós. A influência de Maria, sem ruído de palavras, nos incita progressivamente a essa confiança perfeita  nos manifestando cada vez melhor o motivo.
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A Santíssima Virgem é mesmo chamada “Mater sanctae laetitiae” e “causa nostrae laetitiae”, causa de nossa alegria. Ela obtém para as almas mais generosas esse tesouro escondido que é a alegria espiritual no meio dos próprios sofrimentos. Ela lhes obtém de vez em quanto levar suas cruzes com alegria seguindo o Senhor Jesus; ela as incita no amor a cruz, e sem fazê-las sentir sempre essa alegria, lhes proporciona comunica-la aos outros.
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Na festa do Santo Rosário da Santíssima Virgem.
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(Extraído do livro A Mãe Do Salvador e Nossa Vida Interior. Tradução e [Fonte]: PERMANÊNCIA)
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  1. Ia.,q.21,ª3; IIa. IIa,q.30,a.4.
  2. “Deus qui máxime parcendo  et miserando, potentiam tuam manifestas.”
  3. É o que demonstra santo Tomás também, Ia. IIae, q.113,a.9.
  4. Cf. Santo Tomás, Ia, q.21,a3,ad.2.
  5. Cf. santo Tomás ibid.,a.4: “Opus devinae justitiae semper praesupponit opus miseicordiae, et in eo fundatur.”
  6. Essa doutrina está bem desenvolvida pelo dominicano polonês Justino de Miechow, em sua obra Collationes in Litanias B. Mariae Virginis, traduzida para o francês pelo padre A.Richard com o título de Conférences sur les litanies de la Très Sainte Vierge, 3a. ed., Paris, 1870. Nós nos inspiramos aí nas páginas que se seguem.
  7. Cf. Santo Tomás, Ia,IIae, q.85,a.3.
  8. Foi o caso de um escritor francês licencioso chamado Armnd Silvestre.
  9. Ia.,q.21,a4,ad1.
  10. Sermão sobre a Assunção
  11. Cf.santo Tomas, IIa.,IIae, q.18,a.4: “Spes certitudinaliter tendit ad suum finem, quase participans certitudinem a fide.

Fonte: A grande guerra

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Algumas anotações feitas pelo blogue A grande guerra do livro:
Santa Rita
por
Padre Agostinho Rueli
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Divisão das anotações:
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IInfância e juventude
II– Esposa e mãe
III– Viúva e religiosa 
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O livro foi composto por trechos selecionados do livro: Notas biográficas de Santa Rita de Cássia, de autoria do Padre Agostinho Rueli, Agostiniano, no ano de 1929.
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I- Infância e juventude
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Santa Rita nasceu no ano 1381 em uma vilazinha a três quilômetros de Cássia na Itália, chamada Rocca Porena, lugar de difícil acesso por caminho íngreme.
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Filha de Antônio e Amata Mancini, muito piedosos e conhecidos como “pacificadores de Cristo” na cidade, pois apaziguavam os vizinhos inimigos entre si, ou em litígio, com boas obras e bom exemplo. Quando Santa Rita nasceu, sua mãe tinha 62 anos, todos consideravam Rita como um prodígio do Céu, o nome Rita é a forma reduzida de Margherita, que significa pérola.
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Infância
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– Foi verdadeiramente extraordinário e maravilhosa a luminosidade que de tempos em tempos era vista circundando a cabecinha da menina.
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– Mamava o leite apenas três vezes ao dia e nas sextas-feiras fazia jejum, ainda neném. Os que conversavam entre si a respeito da sobriedade da menina em mamar tão pouco e abster-se de qualquer alimento às sextas-feiras, já prognosticavam a exímia virtude da abstinência e da penitência que, mais tarde, ia ser praticada por Santa Rita.
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– Sinal certo de que Rita foi prevenida da grande bênção de doçura é o prodígio das abelhas que vinham, com frequência, esvoaçar sobre a menina, entrando e saindo da boca da santa sem lhe fazer nenhum dano, esse tipo de abelhas que se vêem até hoje no Mosteiro de Cássia, escondidas em pequenas frestas, costumam sair todos os anos, na Semana da Paixão. Essas abelhas são bem diferentes das que conhecemos, não têm ferrão e não picam quem as toca, parecem destinadas a simbolizar as virtudes da doçura e mansidão da santa.
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Juventude
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Tomando conhecimento pelos pais dos favores com os quais tinha sido favorecida, santa Rita logo compreendeu que deveria agradar a Deus em todos os seus atos.
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– Procurava abster-se de brinquedos e travessuras infantis.
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– Prestava muita atenção às orações de seus pais e esforçava-se para aprendê-las de cor e as recitava com piedade.
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– Foi da educação que recebeu dos pais e da formação religiosa que recebia na Igreja, que adquiriu uma devoção especial para com Nossa Senhora, e também era devota de São João Batista, por essa devoção veio-lhe a estima da solidão, Santo Agostinho, provinha o amor de Deus e São Nicolau de Tolentino, fez-lhe apreciar a mortificação e a penitência.
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– Ainda na juventude dentre os afazeres domésticos, meditava muito, e sempre foi muito obediente aos pais, mas se algo que eles mandavam a pudesse afastar de Deus, a santa resistia-lhes com muito jeito. Certo dia, a mãe queria enfeitá-la e vesti-la para que a filha ficasse bonita, elegante e atraente, a santa negou-se…
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– Amava a solidão, e queria que os pais permitissem-lhe ficar em um quartinho bem escondido, onde pudesse meditar na Paixão de Nosso Senhor, os pais sabiam que a filha viera de uma graça especial de Deus e não contrariaram a filha. Ali ela permaneceu por um ano inteiro, e dele somente desejaria sair para continuar a viver em um convento, como esposa de Cristo.
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– Se entregava as austeras penitências e jejuns, e se dedicava muito aos cuidados dos pobres.
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– Tinha muita caridade para com as almas do purgatório.
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– Com seu bom exemplo as moças a buscavam para pedir conselhos.
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II- Esposa e mãe
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Noivado
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Santa Rita, queria ser freira no mosteiro das Agostinianas de Cássia, esperava apenas a hora oportuna para falar aos pais, porém esses já em idade avançada e pensando nas dificuldades da velhice se opuseram a vontade da filha, destinando-a a vida conjugal.
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Deus queria fazer da santa modelo de mãe e esposa e a consolou.
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Seu noivo era o jovem Paulo Ferdinando, natural de sua cidade, Santa Rita entendia o estado matrimonial como uma missão especial de caridade, para ganhar para Deus a alma do marido e da prole que o Céu lhe desse.
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Casamento
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Paulo Ferdinando, que a princípio parecia ser um bom homem, mostrou-se um carrasco, batendo e ameaçando a esposa, vivendo em vida de bebedeira, um esposo muito violento. Santa Rita procurava calar-se, falava muito pouco, estudava o modo de tratar com ele, esperava as ocasiões oportunas para conversar com o marido e lhe fazer ver a sua injustiça.
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Depois de muita oração e sofrimento, Paulo Ferdinando se converte, uma vitória que Santa Rita alcançou não com a arma da língua, mas com a eficácia do bom exemplo.
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Porém pouco tempo depois Paulo foi cruelmente assassinado… muita tristeza, não tanto pela preocupação do sustento dos pequenos, mas sobretudo porque temia pela sorte da alma de Paulo Ferdinando.
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Educação dos filhos
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Santa Rita perdoou os assassinos, mas os filhos, que herdaram do pai o gênio colérico não, e conforme os dias iam passando eles arquitetavam a vingança da morte do pai.
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E com toda a responsabilidade moral sobre os filhos, e aflita com a idéia deles mancharem a alma com o pecado mortal recorreu a Deus em suas orações para que mudasse o coração dos filhos ou os chamassem naquela idade juvenil.
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Deus ouviu as preces da santa e no espaço de um ano, levou-os para a eternidade, tinham 15 anos, e Santa Rita por volta de 35 anos.
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III- Viúva e religiosa
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Santa Rita santificou e honrou o estado de viuvez, se entregou às obras de religião e a oração.Tomou a resolução de entrar no Mosteiro de Santa Maria Madalena, das religiosas Agostinianas, mas seu pedido foi negado pois o costume do mosteiro proibia a entrada de viúvas, a santa não quis insistir com a superiora e recorreu à proteção da Virgem Santíssima e de seus santos protetores.
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Entrada no Mosteiro – No alvorecer de certo dia, as religiosas Agostinianas de Cássia encontraram Rita dentro do seu mosteiro em posição de quem rezava com devoção, as irmãs com muito espanto ouviram Santa Rita dizer que estava em oração noturna em Rocca Porena, quando ouviu que a chamavam do lado de fora de sua casa, abriu a porta e viu-se diante de seus santos protetores, os quais deram-lhe a ordem de se dirigir para o mosteiro sob a direção deles, obedeceu e viu-se de repente naquele lugar.
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Diante desse milagre ela foi recebida com muita alegria no mosteiro, e sua fama de santidade aumentou entre os moradores da cidade.
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Virtudes – Santa Rita fez o ano de noviciado e jurou os votos solenes, desejava para si os serviços mais humildes e baixos do convento, por amor a pobreza, escolheu a cela mais escura, estreita e incômoda; dormia sobre a terra nua ou sobre uma tábua; como vestimenta só teve um hábito que envergaria ate à morte.
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Flagelava-se rudemente três vezes ao dia, uma pelas almas do purgatório, outra pelos benfeitores do mosteiro e a terceira pela conversão dos pecadores.
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Dormia com o cilício à cintura, ou vestida com uma túnica tecida de espinhos.
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Também era muito obediente. Vendo a obediência da santa sua superiora mandou-lhe que plantasse num canto do pátio um galho inteiramente ressecado de vinha e o regasse todos os dias. Santa Rita cumpriu essa obrigação pacientemente por um ano, depois disso a planta produziu flores e frutos. É a mesma planta que ainda hoje, passados mais de cinco séculos, se conserva frutífera, embora esteja plantada em terra pouco favorável, não sendo adubada ou cuidada, e no mês de novembro é possível colher os grandes e saborosos cachos de uvas nascidos dessa planta.
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Amor ao Crucificado – Desde muito nova a santa sempre meditava sobre a Paixão de Nosso Senhor, criando raízes profundas na alma da santa, a tal grau chegou sua contemplação que, algumas vezes, quinze dias seguidos não eram suficientes para meditar os mistérios.
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Um dia depois de ouvir um sermão pregado por São Tiago da Marca, em Cássia, sobre a Paixão, Santa Rita senti-se mais inflamada no desejo de ter em seu corpo um sinal doloroso da Paixão, recolhida então em um oratório no velho jardim do mosteiro, viu desprender-se da imagem do Crucificado um espinho da Coroa que cingia a cabeça de Jesus e, rápido como uma flecha, finco-se na sua testa, causando-lhe uma dor profunda, esse ferimento a acompanhou até a morte, e devido ao mau cheiro da ferida infeccionada, Rita passou a viver isolada das demais freiras.
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Ida à Roma – No ano de 1450 ocorreria à canonização de São Bernardino de Sena, falecido 6 anos antes. Santa Rita desejava muito ir à Roma para homenageá-lo, foi pedir licença à superiora, mas devido a sua ferida, que causava repugnância seu pedido foi negado; então a santa rezou para que Deus afastasse dela aquele obstáculo, pediu para que as dores continuassem mas que a ferida desaparecesse, e suas preces foram aceitas.
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E quando retornou de Roma a ferida reapareceu, causando muita alegria em Santa Rita e mais admiração ainda das pessoas; a fama de sua santidade se espalhava e muitos recorriam a ela em busca de conselhos e para recomendarem às suas orações.
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Morte – O sofrimento da ferida piorava a cada dia, e uma enfermidade desconhecida nos últimos anos de sua vida causava-lhe mais tormentos que a ferida.
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Rita morreu na idade de 76 anos, a 22 de maio de 1457 depois de ter recebido os sacramentos. No momento em que as religiosas se dirigiam para a igreja a fim de cantar em ação de graças pela morte de Rita, os sinos do mosteiro foram tocados por mãos invisíveis, atraindo muitas pessoas até lá.
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Sua cela úmida e escura foi iluminada por grande esplendor, todos sentiam um perfume especial que se espalhava por todo o mosteiro.
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Incorrupção do corpo – No ano de 1626 depois de 169 anos da morte da santa, seu corpo foi examinado e apareceu como se tivesse morrido recentemente.
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Em outro exame realizado 56 anos depois do primeiro, o corpo foi encontrado “íntegro, incorrupto, com as feições nítidas e coisa admirável, com os olhos abertos”.
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No terceiro exame realizado 247 anos depois de sua morte feito no ano de 1704 o corpo continuava intacto e incorrupto com a mesma aparência e frescor. Dos três milagres propostos e aprovados para a canonização de Santa Rita, esse odor sobrenatural é o primeiro em ordem e em dignidade.
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Cito trecho do livro:
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“O odor suave e intenso da cela da Santa logo após a sua morte encheu de admiração todos os que o sentiram. Em redor do corpo de Rita tem continuado, por séculos, a derramar-se o mesmo aroma prodigioso.
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Deus exaltou a Santa Rita naquele mesmo corpo que pelas penitências, pelas doenças e pelo repugnante cheiro da chaga, fora objeto de desprezo e de abandono.
Eis o que se narra acerca desse odor perene no processo sobre os milagres examinados para a canonização de Rita:
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“Tanto as testemunhas, quase unânimes, como a opinião pública, falam de um odor agradável proveniente do corpo da Bem-aventurada Rita, e de tudo que tenha tocado nele, Ninguém sabe precisar a natureza desse cheiro; todos, porém, o afirmam celestial. Sente-se até fora da igreja e espalha-se pelos lugares afastados do mosteiro. Não se pode atribuir a aromas derramados no corpo, porque não os houve; não se desprende das flores, ao lado, sobre o altar vizinho, porque as freiras têm especial cuidado em não permitir objetos olorosos a que se pudessem atribuir mistificações por parte das religiosas. A intensidade, a difusão e a constância, por tanto tempo, desse ordor, são provas de que se trata de um fato para ser admirado e digno de sobrenatural consideração”.
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A ciência fecha-se num círculo vicioso, do qual não sabe sair… é obrigada a confessar a sua ignorância na explicação desse fenômeno! Por essas razões, e por muitas outras de ordem moral, que se lêem no processo, é forçoso concluir que o aroma desprendido do corpo de Santa Rita, é sobrenatural, é um verdadeiro milagre”.
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Urbano VII a beatificou em 1628 (171 anos depois de sua morte); e a canonização em 1900, 443 anos depois por Leão XIII.

Editorial de Le Sel de la Terre nº 99, invierno 2016-2017

(Traducción por F.I. Aqui)

Visto em: Estudos Tomistas

Puede parecer que el protestantismo sea cosa del pasado. ¿Vale la pena entonces que se insista sobre él en tiempos en que ideologías mucho más avanzadas devastan el mundo contemporáneo? En realidad, esta insistencia proviene de los papas. Durante más de un siglo ellos repitieron sin pausa que la Revolución es hija del protestantismo. Monseñor Delassus se hizo eco de ello al designar a la pseudo-Reforma como una etapa capital de la conjuración anticristiana[1]. Y el simple buen sentido comprueba con facilidad que el protestantismo fue quien expandió por todo el mundo cristiano el virus del liberalismo, que es el corazón de la Revolución.

El juicio de los papas

Desde 1793, luego del asesinato del rey Luis XVI, Pío VI afirmó que la Revolución que hacía estragos en Francia tenía su origen en el calvinismo. Él no dudó en hablar de conjura, de conspiración y de complot:

hacía tiempo ya que los calvinistas habían comenzado a conjurar en Francia para la ruina de la religión católica. Pero para alcanzar el término había que preparar los espíritus […] Es en vista de esto que se vincularon con los filósofos perversos. La Asamblea General del clero de Francia de 1745 había descubierto y denunciado los abominables complots de todos estos artesanos de impiedad. Y Nosotros mismos, desde el comienzo de Nuestro pontificado[…] anunciamos el peligro inminente que amenazaba a Europa […] Si se hubieran escuchado Nuestras descripciones y Nuestros consejos, no tendríamos que lamentar ahora el progreso de esta vasta conspiración tramada contra los reyes y contra los imperios[2].

León XIII, en su encíclica Diuturnum sobre el origen del poder civil, hace remontar al protestantismo los errores políticos de las sociedades modernas, señaladamente la soberanía del pueblo y la falsa noción de libertad:

De aquella herejía nacieron en el siglo pasado una filosofía falsa, el llamado derecho nuevo, la soberanía popular y una descontrolada licencia que muchos consideran como la única libertad. De aquí se ha llegado a esos errores recientes que se llaman comunismo, socialismo y nihilismo, peste vergonzosa y amenaza de muerte para la sociedad civil[3].

León XIII insiste y precisa en su encíclica Immortale Dei que el protestantismo está en el origen de las libertades modernas y de aquello que los papas llaman el «derecho nuevo», aquel de la sociedad moderna que destrona a Cristo Rey:

Sin embargo, el pernicioso y deplorable afán de novedades promovido en el siglo XVI, después de turbar primeramente a la religión cristiana, vino a trastornar como consecuencia obligada a la filosofía, y de ésta pasó a alterar todos los órdenes de la sociedad civil. A esta fuente hay que remontar el origen de los principios modernos de una libertad desenfrenada, inventados en la gran revolución del siglo pasado y propuestos como base y fundamento de un derecho nuevo, desconocido hasta entonces y contrario en muchas de sus tesis no solamente al derecho cristiano, sino incluso también al derecho natural[4].

Monseñor Lefebvre sacaba esta conclusión:

Ved entonces cómo todo resulta lógico, cómo los papas han previsto todas estas cosas, lo han dicho con firmeza desde Pío VI en el tiempo de la Revolución hasta León XIII a fines del siglo pasado […] Si tomáis todas las declaraciones de san Pío X en el momento del Sillon, veréis que tratan de lo mismo, siempre de lo mismo: ellos condenaron, condenaron, condenaron. Entonces nosotros debemos impregnarnos de esta doctrina para comprender también nosotros la nocividad de estos principios en los cuales, como sabéis, estamos como inmersos. Inmersos, infestados, desde el momento en que todas nuestra instituciones están infestadas de este espíritu de libertad: la libertad religiosa, la libertad de conciencia, la libertad del pensamiento, la libertad de prensa, la libertad de enseñanza[5].

El testimonio de monseñor Delassus

En su libro magistral La conjura anticristiana, monseñor Delassus resume las tres etapas de esta conjura según la fórmula de las tres «R»: bajo la influencia de la Cábala se recae en el naturalismo pagano en las artes (Renacimiento); luego, en la religión (Reforma); finalmente, en la política (Revolución).

La pretendida Reforma ha jugado el papel de una etapa en este proceso, pero de una etapa indispensable, como lo subraya Jacques Maritain, el Maritain de 1925 -vale decir, antes de su cambio de actitud luego de la condena de la Acción Francesa:

La revolución luterana, por el mismo motivo por el que pertenece a la religión, a todo a aquello que domina la actividad del hombre, debía cambiar de la manera más profunda la actitud del alma humana y del pensamiento especulativo de cara a la realidad. La Reforma ha desencadenado el yo humano en el orden espiritual y religioso, del mismo modo que el Renacimiento ha desencadenado el yo humano en el orden de las actividades naturales y sensibles[6].

Al comienzo del capítulo sobre «la Reforma, hija del Renacimiento», monseñor Delassus cita a Paulin Paris, un erudito ocupado en la Edad Media:

La Edad Media no era tan diferente a los tiempos modernos como se cree: las leyes eran diferentes, así como los usos y las costumbres, pero las pasiones humanas eran las mismas. Si uno de nosotros fuera transportado a la Edad Media, vería en torno de sí labriegos, soldados, sacerdotes, financieros, desigualdades sociales, ambiciones, traiciones. Lo que cambió es el fin al cual estaba dirigida la actividad humana[7].

Monseñor Delassus comenta:

No se podría decir mejor. Los hombres de la Edad Media eran de la misma naturaleza que nosotros, naturaleza inferior a la de los ángeles y, para más abundar, naturaleza caída. Tenían nuestras mismas pasiones y se dejaban llevar por ellas, a menudo a excesos los más violentos. Pero el fin era la vida eterna: los usos, las leyes y las costumbres estaban inspirados por ese fin; las instituciones religiosas y civiles dirigían a los hombres hacia su fin último, y la actividad humana estaba dirigida, en primer lugar, al perfeccionamiento del hombre interior.

En nuestros días –y aquí está el fruto del Renacimiento, la Reforma y la Revolución– el punto de vista cambió, el fin ya no es el mismo; lo que se quiere, lo que se busca, no por los individuos aislados sino por el impulso dado a toda la actividad social, es la mejora de las condiciones de la vida presente para alcanzar un mayor y más universal disfrute de la vida. Lo que hoy cuenta como «progreso» no es más aquello que contribuye a una mayor perfección moral del hombre, sino lo que aumente su dominio sobre la materia y la naturaleza, con el fin de ponerlas más completa y dócilmente al servicio del bienestar temporal.

La reforma de Lutero es protesta contra la civilización cristiana, protesta contra la Iglesia que la había fundado, protesta contra Dios de quien ésta dimanaba. El protestantismo de Lutero es el eco sobre la tierra del Non serviam de Lucifer. Éste proclama la libertad, la de los rebeldes, la de Satanás: el liberalismo […] Todo lo que la Reforma había recibido del Renacimiento y que ella debía transmitir a la Revolución está en esta palabra: protestantismo[8].

Éste es, pues, un hecho constatado tanto por los papas como por los observadores del movimiento revolucionario: el protestantismo preparó la Revolución. Falta aún explicar la causa profunda.

El protestantismo es el padre del liberalismo

La razón es, en el fondo, muy simple: el luteranismo difunde el liberalismo, vale decir, el corazón de la Revolución.

Lutero sufrió una doble influencia: el nominalismo y el agustinismo, los cuales, unidos al orgullo de Lutero, lo llevaron a constituirse en el padre del liberalismo.

El nominalismo es una deformación de la filosofía que tuvo comienzo poco después de santo Tomás de Aquino, señaladamente bajo la influencia de Guillermo de Occam (1281-1347). No existe una naturaleza universal, sino simplemente individuos. Si hablamos de naturaleza humana, es un simple nombre que no corresponde a realidad alguna. No existen sino individuos humanos.

Por consiguiente, no existe una ley natural. La única ley es la voluntad superior. Una voluntad arbitraria, ya que para Occam Dios es dueño de darnos los mandamientos que Él quiere: extremando el argumento, ¡podría darnos el mandato de odiar![9]

Tal concepción de la ley la desvaloriza y, finalmente, la vuelve despreciable. Para Lutero ésta deviene incluso insoportable.

Después de que Lutero se determinó a negar obediencia al Papa y a romper con la comunión de la Iglesia, su yo, a pesar de las angustias internas que aumentaron progresivamente hasta su muerte, estará desde entonces por encima de todo. Toda regla «exterior», toda «heteronomía», como dirá Kant, se convierte desde aquel momento en una ofensa intolerable para su «libertad cristiana». «No admito, escribe en junio de 1522, que mi doctrina pueda ser juzgada por nadie, ni siquiera por los ángeles. Quien no reciba mi doctrina no puede llegar a salvarse». «El yo de Lutero, escribía Moehler, era según él el centro en torno al cual debía gravitar la humanidad entera; se convirtió a sí mismo en el hombre universal en quien todos debían encontrar su modelo. En resumidas cuentas, se colocó en lugar de Jesucristo»[10].

Pero Lutero sufrió también la influencia del agustinismo. Él era monje agustino. La universidad de Wittemberg tiene por patrono a san Agustín. San Agustín es un converso que tuvo sus problemas para vencer sus pasiones. Esta es la razón por la que siempre tuvo la tendencia a describir con vigor las consecuencias del pecado original. Esta tendencia pesimista se va a acentuar en algunos de sus discípulos. Lutero exagerará aún más este pesimismo hasta pretender que no podemos evitar el ceder a nuestras pasiones. No tenemos más libertad; el libre arbitrio se transforma en siervo arbitrio. «El libre arbitrio ha muerto», «la concupiscencia es invencible», en el sentido de que ésta resulta siempre victoriosa.

¿Cómo salir de este pesimismo? Es en esta instancia que se pone el «evento de la Torre». Lutero recibió la revelación en la letrina del convento. «El Espíritu Santo me dio esta intuición en esta letrina»[11]. La solución es la «fe que justifica».

Nuestras obras son malas, ellas no tienen ningún mérito ante Dios, ellas más bien nos enorgullecen y así nos alejan de Dios. Pero Dios nos imputará la justicia de Jesucristo, y es por la «fe» que esta justicia nos será imputada:

Por encima de nuestra corrupción, Dios puede extender una capa, quiero decir los méritos de Jesucristo. Ésta será una justificación toda exterior, un revestimiento de mármol sobre la madera podrida de una cabaña. En el trabajo por alcanzar nuestra salvación está activo Jesucristo, y sólo Jesucristo; nosotros no tenemos que ser más que nosotros mismos. Querer cooperar con nuestras obras con aquello que está sobreabundantemente cumplido equivale a injuriarlo. ¿Y cómo obtendrá el hombre esta capa de parte de Dios, quiero decir esta atribución exterior de los méritos de Jesucristo? Por la fe o, para hablar con más exactitud, por la confianza en Dios y en Jesucristo. El hombre continuará produciendo frutos de muerte, pero por la confianza que estará en su corazón, merecerá que Dios le atribuya los méritos de Jesucristo. En definitiva: cuando sienta en sí mismo esta confianza, entonces tendrá la certeza de su salvación[12].

Lo mismo que nuestras buenas obras no sirven de nada para alcanzar nuestra justificación, así nuestras malas obras no la impiden. Justificación y pecado pueden coexistir en nosotros. No sirve de nada obrar el bien; el pecado no impide la salvación. En consecuencia, la ley moral resulta inútil y es abrogada.

Ella ha sido abrogada del todo y sin reservas, de manera que ya no podrá más ni acusar ni atormentar al fiel; doctrina de la mayor importancia que debe proclamarse desde los tejados, «ya que ella lleva el consuelo a las conciencias, sobre todo a aquellas oprimidas por el temor. Lo he dicho a menudo y lo repito una vez más, porque nunca será repetido a suficiencia: el cristiano que alcanza por la fe el beneficio de Jesucristo se encuentra absolutamente por encima de toda ley, está eximido de toda obligación relativa a la ley…».

Cuando San Pablo dice que por medio de Jesucristo somos libres de la maldición de la ley, evidentemente él entiende de toda ley, y ante todo de la ley moral, ya que es ésta sola (y no las otras dos categorías, la judiciaria y la ceremonial) la que acusa, maldice y condena a la conciencia. Decimos entonces que, allí donde Cristo reina por su gracia, el Decálogo no tiene ya el derecho de acusar y atormentar a la conciencia»[13].

De esta manera, entonces, el nominalismo de Lutero impulsó a éste a no reconocer la ley natural, y su teoría de la justificación por la fe lo impele a suprimir toda obligación de la ley moral. Así, a pesar de su pesimismo acerca de la libertad psíquica del hombre, Lutero instala el principio del liberalismo: cada cual hace lo que quiere.

Una Iglesia queriendo encuadrarlo, estrecharlo con coerciones intelectuales y legales, una regla moral que quiere dirigir, atar su voluntad: todo esto lo restringe, lo limita en sus actos. Todo esto es inútil y odioso.

He aquí la gran novedad, el gran descubrimiento que llevaba a Lutero al colmo de la alegría. Para celebrar este descubrimiento, él tiene páginas de un extraño lirismo. En lo sucesivo, él habrá acabado con el yugo de la ley y los tormentos de la conciencia. He aquí el Evangelio, es decir, la Buena Nueva que él venía a anunciar en nombre de Dios. Por espacio de siglos esta verdad había quedado escondida; la pobre humanidad había sido doblegada por la Iglesia romana bajo el yugo inútil y pesado de la penitencia, con la obligación de tender a la perfección a través de las obras personales. Lutero, por el contrario, venía a aprender a esconderse bajo el ala de Jesucristo, a elevarse -por la confianza, por el sentimiento, merced a un dulce ensueño- hasta el pie del trono de Dios.

Así es como resulta afirmada la independencia del nuevo profeta para con toda moral: al modo como un niño desnudo entregado a sus alegres retozos sobre una muelle alfombra despliega cándidamente todo su impudor[14].

Fátima para salvarnos de Lutero

Es fuerza constatar que el espíritu  del protestantismo ha penetrado por todos lados en nuestra sociedad posmoderna. El liberalismo ha entrado incluso a la Iglesia, y la Revolución conciliar, comenzada en 1962, se desarrolla sin vergüenza ante nuestros ojos, haciendo tabla rasa de los principios más elementales de la moral. El mismo papa ha ido a Suecia para dar inicio oficialmente, junto con los luteranos, a un «año de Lutero».

Más bien que el «año de Lutero», nosotros sugerimos festejar otro centenario: aquel de Fátima, donde la santa Virgen se apareció seis veces en 1917.

La santa Virgen es el «anti-Lutero», si vale expresarnos así. El monje pretendió que era imposible obedecer a  Dios, que la ley de Dios estaba por encima de nuestras fuerzas y que, hagamos lo que hagamos, no podemos salir del pecado  La santa Virgen, en cambio, obedeció a Dios; fiat: ésta es su divisa. Ella nos dice que obedezcamos a Nuestro Señor: «haced todo lo que Él os diga» (Jn 2, 5). En Fátima, la santa Virgen mostró que se puede salir del pecado desde el mismo momento en que exhortó a las almas a convertirse y a cambiar de vida:

– Tendría muchas cosas para pediros, dijo Lucía: curar algunos enfermos y convertir pecadores, etc. – Algunos sí, respondió Nuestra Señora, otros no. Deben corregirse y pedir perdón por sus pecados.Y tomando un aire más triste: que no ofendan más a Dios, Nuestro Señor, que ya está bastante ofendido.

Fátima recuerda la necesidad de rezarle a la santa Virgen: el de notar que el rosario es mencionado en cada aparición; y la mediación de María es implícitamente recordada en el hecho de que la conversión de Rusia está ligada a la consagración al Corazón Inmaculado de María.

Todo esto está en los antípodas de la doctrina de Lutero, según la cual no es necesario rezarle a la santa Virgen, bajo pretexto de que no hay sino un mediador entre Dios y los hombres. Lo que implica olvidar que Jesús, el nuevo Adán, ha querido tener a su lado a una nueva Eva, María, a la que constituyó medianera de todas sus gracias. Por esto mismo, no rezarle supone dejar de honrar a Jesús y a su Madre.

No se puede menos que temblar al constatar que el papa Francisco instaló la estatua de Lutero en el Vaticano el pasado 13 de octubre, día en que se conmemora el gran milagro del sol. ¿No es esto, objetivamente hablando, una afrenta a la Madre de Dios?

Dios reclamó la práctica de los cinco primeros sábados de mes para reparar las cinco principales ofensas contra el Inmaculado Corazón. Entre estas ofensas se encuentran «las blasfemias de aquellos que se rehúsan a reconocerla como Madre de los hombres» y «las blasfemias de aquellos que buscan públicamente instalar en el corazón de los niños la indiferencia, el desprecio o incluso el odio respecto a esta Madre Inmaculada». Ahora bien, ¿no es esto aquello a lo que conduce la doctrina de Lutero y los protestantes?[15]

Felizmente, la Virgen María cuenta a menudo con «represalias» de madre, principalmente convertir a aquellos que la han ofendido, más bien que castigarlos. Así, durante la «vuelta al mundo», aquel viaje triunfal de la estatua de Fátima a través del mundo entero a partir de 1947, se han visto muy numerosas conversiones de protestantes.

Tratemos de replicar al año de Lutero con un año de Fátima, en el curso del cual recitaremos mejor nuestro rosario meditando los misterios, practicaremos la devoción de los cinco primeros sábados del mes y, sobre todo, aumentaremos nuestra devoción al Corazón Inmaculado de María pidiéndole especialmente el retorno de las autoridades conciliares a la Tradición y la conversión de los protestantes.

[1] DELASSUS Mgr Henri, La Conjuration antichrétienne – Le Temple maçonnique voulant s’élever sur les ruines de l’Église catholique,Lille, 1910.

[2] PÍO VI, Alocución al consistorio, 17 de junio de 1793.

[3] LEÓN XIII, Diuturnum illud, 29 de junio de 1881.

[4]  LEÓN XIII, Immortale Dei, sobre la constitución cristiana de los Estados, 1 de noviembre de 1885.

[5] Conferencia de monseñor Lefebvre, diciembre de 1973.

[6] Jacques MARITAIN, Trois Réformateurs,Plon-Nourrit, 1925, pp. 19-20

[7] Paulin PARIS, citado por mons. Henri DELASSUS, La Conjuration antichrétienne, p. 42.

[8] Mgr Henri DELASSUS, La Conjuration antichrétienne, pp. 42-45.

[9] Guillaume D’OCCAM, Commentaire sur les Sentences,II, q.15 et IV, q. 16 (Opera philosophica et theologica, t. 5, Saint-Bonaventure [N.Y.], 1981, p. 342 et 352, et t. 7, Saint-Bonaventure [N.Y.], 1984, p. 352).

[10]  Jacques MARITAIN, Trois Réformateurs, p. 20.

[11] Propos de table de Luther, citados en DTC « Luther », col 1207. Este artículo de DTC es del canónigo Jules PAQUIER (1864-1932), quien fuera el traductor de la obra maestra del padre DENIFLE,Luther et le luthéranisme.

[12] DTC « Luther », col 1229.

[13] DTC « Luther », col 1242.

[14] DTC « Luther », col 1246-47.

[15] Ver Philippe LEGRAND, Merveilles opérées par le Cœur Immaculé de Marie, éditions du Sel, 2006.

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Fonte: http://www.cathinfo.com

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Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!